disse que eu não podia prometer textos diários já prevendo o pior – cansaço, falta de tempo, falta de vontade de escrever me assolando por essas duas semanas. de qualquer forma, faço agora um apanhado geral.
foi, mais uma vez, uma mostra pouco brilhante decorrente de uma safra pouco brilhante. três filmes excepcionais (tabu, après mai, o som ao redor) foram vistos. alguns outros se enquadram na categoria “muito bons”, mas a maioria não passou perto de empolgar. ao menos uma melhor escolha da minha parte limitou um pouco a quantidade de bombas.
tivemos kiarostami, mungiu e losnitza em filmes bons, mas abaixo de seus anteriores (cópia fiel, 4 meses, 3 semanas e 2 dias e minha felicidade). o iraniano é o deus supremo do posicionamento de câmera e dos quadros deslumbrantes, mas dessa vez eu não consegui ter o mesmo envolvimento com a sua estória. o romeno veio com um conto sobre ignorância e uma porrada na cara das religiões, enquanto o ucraniano continua no seu modo da mais pura carnificina. a expectativa de vida num filme do losnitza é menor que na república democrática do congo.
vi quatro nacionais, um deles o sensacional o som ao redor. roteiro impressionante que se fecha de forma incrível no final, direção segura, um filme delicioso. provavelmente, entre todos os vistos nessa mostra seria o que eu escolheria pra rever. além dele, cores foi uma bela surpresa, um filme que trouxe identificação comigo, o tão necessário olhar para uma geração podre que é a nossa. era uma vez eu, verônica e boa sorte, meu amor não são tão eficientes, mas estão longe de serem ruins.
brandon cronenberg mostra que se você é filho de um cineasta chamado david deve se manter longe de câmeras, sendo seu antiviral uma atrocidade tão grande quanto as obras de jennifer lynch. mesmo assim, não foi o pior da mostra: o francês como um homem leva esse “prêmio”.
a relação completa de filmes vistos com suas devidas cotações está na aba “filmes vistos em 2012″, ali em cima.
terminemos, então, com os prêmios carlos massari da 36ª mostra de são paulo:
melhor filme:
tabu, de miguel gomes
menção honrosa: après mai, de olivier assayas
melhor direção:
abbas kiarostami, por um alguém apaixonado
menção honrosa: kléber mendonça filho, por o som ao redor
melhor ator:
mads mikkelsen, por a caça
menção honrosa: aniello arena, por reality
melhor atriz:
rachel mwanza, por a feiticeira da guerra
menção honrosa: cosmina stratan, por além das montanhas
melhor roteiro: o som ao redor
menção honrosa: tabu
pior filme: como um homem
menção desonrosa: antiviral
eu queria dar um destaque para a caça, filme que foi visto por muitos como a volta do thomas vinterberg à boa forma. é uma porrada, um gerador de reações e sentimentos de todas as formas. sai do cinema sem saber se tinha gostado muito ou odiado muito. normalmente, desgosto fortemente dessas obras de vitimização completa, da pessoa muito boa cuja vida é fodida por gente muito má que se aglomera à volta dela, como costuma sempre fazer o parceiro dinamarquês de vinterberg, lars von trier. porém, a direção aqui me parece mais madura que na maioria dos filmes desse tipo e as soluções encontradas acabam tirando desse horror psicológico que normalmente é feito. eu quase o considerei uma obra-prima, mas tenho alguns problemas com ele que me impedem disso.
e que no próximo ano tenhamos uma safra melhor, porque as duas últimas foram tristes.









